A carga pronta e metida nos contentores!
Prometi voltar a este tema da roupa em segunda mão num post anterior. Roupa que é enviada para países em vias de desenvolvimento em África. Pois aqui está e confesso que sinto um pouco de vergonha alheia pelo que infelizmente se passa.
Há dias deparei-me com uma reportagem da BBC que me chocou pelo
cinismo em que muitas vezes vivemos ou nos deparamos. O cenário parece um
teatro de guerra, com autênticas valas comuns, onde jazem toneladas de fast-fashion.
O país é o Gana, mas isso não é o mais relevante, porque não deve ser o único.
Voltando mais atrás… Já aqui falei sobre os contentores onde podemos depositar
as nossas roupas, a triagem que é feita, a venda, o reencaminhamento para
instituições, a reciclagem e o tal fim humanitário, em que pensamos estar a
participar ativamente. Eventualmente até podemos estar, mas a verdade não é
assim tão cor-de-rosa. Voltando ainda mais atrás… a qualidade da roupa
produzida. Já é mais que sabido que muitas das marcas opta por lançar inúmeras
peças a todo o instante, prezando o preço baixo, fraca qualidade e rapidez de
produção – a fast-fashion. O nome não foi atribuído ao acaso: Fast fashion (moda rápida) significa um padrão de
produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e logo de seguida
descartados, literalmente, rápido. Como tão rapidamente é comprada e
descartada, acabam por existir quantidades astronómicas de roupa que já não se encontra nos padrões mínimos para
ser vendida nem aqui, muito menos nesses países de destino (e não que os
padrões devam ser diferentes, mas que acabam por sê-lo, devido a fatores de
alta pobreza, miséria, falta de medidas governamentais, guerra, entre outras). E
lá vão os fardos de roupa nos contentores, como quem terceiriza os seus
problemas, clamam-se determinadas metas ambientais atingidas, virando fardos
para os comerciantes locais que os recebem lá do outro lado.
Estes comerciantes locais, que adquirem esta carga, acabam
por conseguir resgatar apenas 60% das peças enviadas, impactando negativamente
também o seu negócio. Compram gato por lebre, e as peças restantes acabam por
ir parar a estes aterros gigantescos. O irónico é que numa grande parte dos
casos a roupa é produzida lá para empresas europeias e americanas, é consumida nos
países que as mandam produzir, e acabam por lá ir parar, moribundas, como se o
destino fosse voltar a casa, mas no estado de um idoso cansado e doente
terminal.
Mas não existem problemas ambientais (para não falar dos sociais) que sejam atualmente apenas locais. A globalização chegou a tudo. Toda a roupa, plástico e outras matérias que acabam por estar a céu aberto, nas valas, rios ou oceano, acabam por voltar. Uns diriam que é o Karma, outros que é a justiça Divina, eu considero que é triste, potencialmente fatal e uma grande falta de respeito. Respeito pelo próximo, respeito pelo Ambiente e pela Humanidade. Ah, se ao menos todos esses trapos servissem de desperdício (aqueles tecidos utilizados pelos mecânicos, por exemplo), para limpar toda esta sujeira…!
Infelizmente vivemos numa sociedade de consumo disparatado e pouco se faz pelo minimalismo porque o que mais conta são os lucros económicos.
ResponderEliminarManuela Rosas