Amores de fundo de armário...

Todos temos muitos tipos de amores... amor à familia, amor aos amigos, amor aos animais, à natureza, somos pessoas de afeto e de paixões e por vezes de alguns ódios de estimação, mas que não vêm agora ao caso. Focando nos amores e afetos...

Desde tenra idade que nos ligamos a objetos. Fraldas, cobertores, brinquedos... existe sempre algo especial no toque, cheiro ou cor que nos atrai a alguma coisa. Na fase adulta, e na qual já ando há alguns, para não dizer muitos anos, e falando por experiência própria, ligo-me com alguma facilidade a coisas. Não precisa ser roupa, falo de coisas no geral. 

Não tentando explicar isto pelo lado da evolução humana (sobre a necessidade de fazer ferramentas e de as preservar), e já que neste blog sou eu quem manda, vou tentar partilhar a minha visão sobre o tema...

Cada indivíduo tem a sua lista de items que vai colecionando, mais que não seja na sua memória e que a torna única. É uma forma de riqueza pessoal e intransmissível que vamos construindo a par com a vida.

Transformamos na nossa cabeça estes objetos em símbolos e guardamo-los como se fosse uma cábula, que a qualquer momento recuperamos e assim não corremos o risco de esquecer... este simbolismo é o que lhes dá o valor emocional e que considero perfeitamente aceitável e comum.

Esta “tralha” preciosa não são mais do que pedaços de uma história, importantes para nós e que preservamos para “congelar” aquele momento ou recordação para sempre...

Eu, felizmente, ou infelizmente tendo em consideração o espaço de arrumação da minha casa, tenho imensos pedaços guardados. Se vos falasse da quantidade de brincos que tenho (e mantenho) desde há mais de 30 anos, ficariam boquiabertos com a quantidade de lojas Parfois que poderia abrir já hoje! Mas não consigo desfazer-me deles... Há tempos, mostrava eu à minha irmã e sobrinha uma pequena parte do meu acervo e descobri que posso ter uma potencial herdeira de tudo isto, já que a minha sobrinha de 5 anos adora andar enfeitada!

Nem é bom falar sobre bilhetes de concertos, nem sacos de Pandora! Se aos bilhetes têm todo o valor afetivo, como daquele concerto do George Michael, os sacos são demasiado bonitos para deitar fora! O problema é quando tens 500! Enfim, nem vale a pena ir por aí... Todos temos os nossos problemas!

O mesmo se aplica a roupa! Quantos de nós não têm um par de calças da juventude e que nunca mais na vida nos servirá? O eterno problema da roupa guardada que encolhe mesmo sem ir à máquina de lavar ou secar...

Confesso que também tenho algumas peças dessas, não são muitas... mas são os meus amores de fundo de armário... Nunca ninguém saberia dar o devido valor a aquela peça, mesmo que rota, desbotada ou a desfazer-se com o passar dos anos, mantem toda uma esperança, um sonho ou algumas lágrimas, quem sabe... e essas peças,  a par com os brincos, jamais me largarão, são a minha história!

Imagem retirada de pexels - Meruyert Gonullu

De vez em quando, normalmente no início do Outono ou Primavera, lanço-me numa “maratona” de limpeza ao meu armário... e já me desenganei, porque nunca conseguirei viver num estilo perfeito de organização Marie Kondo, e muito menos naqueles estilos minimalistas... O que tento fazer é mantê-lo vivo! Peças úteis, peças boas e lindas para mim, novas ou usadas, porque o que vestimos reflete o que somos, como estamos e sentimos, e se estivermos bem connosco, seremos concerteza melhores para os outros!

Comentários

  1. Uma herdeira exigente, usa tudo e no fim do banho vai cuidadosamente ao espelho ver se não perdeu nada e se os brincos estão nas orelhas…um primor esta tua sobrinha 😂😂

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  2. Tanto eu! Botas, sacos, sapatos… um dia fizeram-me feliz… guardo também: tenho herdeira!!😁

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